DE QUE FORMA VOCÊ ALIMENTA O IDADISMO?

Atualizado: 25 de ago.



Alimentando preconceito


O idadismo no dia a dia


Muitas são as formas de “idadismo implícito” em nossa sociedade. Recentemente o competente e querido, jornalista e apresentador do Jornal Nacional, William Bonner (58 anos), postou em suas redes sociais um pedido de desculpas à Ivete Sangalo. Ele ao sair dos estúdios, onde havia acabado de entrevistar um candidato à Presidência da república, não identificou Ivete no meio da multidão de fãs e por isso, não havia dado a ela, a devida atenção. Justificou seu ato começando com a seguinte frase : “ Às vezes, tenho a sensação de que a idade quando vai chegando vai dando sinais muito lentos e sutis (...)”. Começando o seu pedido de desculpas desta forma, Bonner nos dá a entender, que a sua aparente falta de atenção não era devido ao cansaço natural após um dia de trabalho um pouco mais estressante. Mas sim, consequência dos seus “58 anos, 9 meses e 7 dias” de vida como ele próprio reforçou no seu post. Concordam?


Formando o preconceito


Desde cedo, em nossas infâncias, somos expostos a imagens negativas relacionadas ao envelhecimento. Os velhos, em nossas histórias infantis, são apresentados a nós como figuras sempre fragilizados, ranhetas ou pessoa que é esquecida em um canto qualquer. Ouvimos muitas vezes, avós dizendo a seus próprios netinhos que eles já não podem mais fazer isso ou aquilo, colocando a desculpa da idade em algo que eles próprios não desejam fazer. O envelhecimento, para crianças e adolescentes, acaba sempre localizado num tempo distante onde relaciona-se apenas com as situações de impossibilidade, perda e morte. Estudos sobre o desenvolvimento infantil demonstram que por volta dos 6 anos de idade, as crianças começam a desenvolver estereótipos negativos – o início de alguns preconceitos. Com isso perguntamos: o que estamos nós, como sociedade que envelhece, estamos fazendo para reverter estas imagens negativas relacionadas ao envelhecimento, junto às nossas crianças?


A memória do preconceito


Temos um fato bastante curioso em relação ao preconceito contra o idoso: tanto jovens quanto os mais velhos têm sempre uma visão mais positiva do jovem e negativa do velho. E isso é muito contrário ao comportamento em outros grupos sociais que sofrem preconceito. Nestes grupos, seus membros buscam sempre a sua valorização, não ao contrário. Mas será que nós, que já passamos dos 50 anos, temos também esta visão mais positiva em relação ao nosso grupo etário, que diariamente sofre preconceito não importando o gênero, cor de pele ou classe social?

Um dado mais curioso ainda, apontado pelo Dr. Egídio Dórea, no seu livro sobre Idadismo, “ (...) é que quanto mais elevada é a autoestima do idoso, maior a sua preferência pelo grupo mais jovem. Mais uma vez tendendo a se distanciar daquele grupo que ele associa aos estereótipos negativos e do qual ele não se sente pertencente”. Ou seja, sou velho, mas só que não!


Mudando o estereótipo


Os estereótipos negativos relacionados ao envelhecimento possuem um efeito sobre a nossa memória. Eles acabam influenciando muito mais o nosso comportamento do que os estereótipos positivos. Ou seja, ao longo da vida vamos construindo essa “memória do que seja ser velho”, aí quando chegamos, graças a Deus, no momento de sermos chamados de idosos, automaticamente podemos passar a agir de acordo com aqueles estereótipos que carregamos ao longo de toda a nossa vida, como numa “profecia que se realiza’. Muitos das pessoas que chegam na casa dos 60 , 70 anos, por exemplo, passam a agir como doentes, se tornam mais apáticos e vulneráveis.


Mas de que maneira podemos mudar isso? Podemos criar memórias mais positivas em relação ao envelhecimento- estereótipos positivos. Não precisamos ser jovens para sermos saudáveis, bonitos, produtivos , inovadores e cheios de energia.


De que forma você está mostrando para a sociedade que envelhecer não é negativo?


Fonte: Idadismo – um mal universal pouco percebido – Egídio Dórea



Fonte: Idadismo – um mal universal pouco percebido – Egídio Dórea

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