Geração sanduíche

Para quem passa dos 50 anos existe sempre uma dupla preocupação na vida: o encaminhamento dos filhos e o cuidado com os pais já idosos. Que em muitos casos, começam a apresentar questões físicas ou cognitivas relacionadas ao processo de envelhecimento. Nós, que já passamos dos 50 anos, formamos o que hoje se denomina de “geração sanduíche”. E aí fica o ponto de atenção: de que forma estamos envelhecendo à medida que nos ocupamos com nossos filhos e nossos pais? Estamos também nos preocupando com o nosso processo de envelhecimento?


Cuidar é um verbo conjugado no feminino


Há cerca de 30 anos pesquisadores se debruçam sobre os efeitos do bem-estar físico e emocional dos familiares cuidadores de idosos. Os dados levantados se referem ao ônus e resultados negativos sobre o impacto na saúde destes familiares. Na maioria dos países ocidentais, ainda em pleno século XXI, as tarefas do cuidar geralmente estão muito associadas às mulheres. Com isso, uma tripla jornada de trabalho se apresenta à mulher: sua vida profissional, organização da vida doméstica e o cuidado com os idosos de sua família. O que pode trazer impacto direto na sua saúde, à medida em que suas atividades de lazer e oportunidades de vida social acabam sendo diminuídas.


Os recursos do cuidado


Cuidar demanda recursos físicos, psicológicos e econômicos. É importante que a pessoa responsável pelo cuidar dos seus idosos , principalmente dos necessitados de cuidados especiais, reconheça se tem a capacidade para lidar com aquele tipo de situação de forma objetiva e subjetiva. Objetiva diz respeito às questões de ordem prática, do dia a dia. Já a questão subjetiva é saber identificar os seus recursos pessoais para lidar com aquela situação, principalmente os emocionais.


Entendendo seus limites


O autoconhecimento e o autocuidado ajudarão muito a passar por esta fase da vida. Converse com o restante da família ou amigos. Entenda que eles podem ser seus parceiros nesta jornada. Você não está sozinha/o. Busque sempre a orientação correta para lidar com a situação que você precisa enfrentar. Além dos profissionais competentes que podem te orientar nesta fase, existem muitos grupos de apoio que funcionam super bem nestes momentos. Sentir-se acolhida/a é importante para o enfrentamento e a adaptação necessária para essa fase da vida.

Propósito


O psicanalista Erik Erikson (1902-1994), em sua Teoria Psicossocial do Desenvolvimento humano, defendeu que nós nos desenvolvemos até o final de nossos dias. Que a partir da vida madura - 40 anos, passamos a um estágio em nossas vidas, onde o cuidar, tanto de nossos filhos como de nossos pais, nos trará mais propósito de vida. Mas atenção, não abandone o autocuidado! Lembre-se que para cuidar, precisamos estar bem física e emocionalmente. Quando nos vemos nesta fase da vida, onde precisamos começar a cuidar de nossos pais, pensar que podemos estar tendo a oportunidade de retribuir todo o carinho e atenção que eles, a seu modo com os recursos que possuíam à época - físicos e emocionais, foram capazes de nos dar ao longo da vida, nos ajudará a passar melhor por este período. Ressignifique este momento, isto fará com que esta jornada se torne mais leve.




Você está nesta fase da vida onde seus pais começam a demandar maior atenção? Como você se sente sobre isso?

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